Travessias de transformação social: contradições e condições
- 2 de jun.
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Seminário regional aborda políticas públicas
por: Jaine Fidler Rodrigues
O Programa de Participação Social e Educação Popular (PEPs) é múltiplo em significado, importância e praticidade. Nos seminários, o exercício da autonomia é realizado. A partir da terceira etapa, as turmas de cada território são estimuladas a escolher um tema de relevância local e cidadã para aprofundar reflexões e propor possibilidades de transformação da nossa sociedade.
Na região do Meio Oeste e Alto do Uruguai de Santa Catarina, as turmas, junto com a coordenação do PEPs, definiram três eixos temáticos: impactos de políticas públicas no desenvolvimento territorial (com foco em resultados, contradições e oportunidades); e políticas públicas na saúde e no mundo do trabalho (com atenção aos impactos, resultados e carências).
O evento
No dia 16 de maio, as turmas se reuniram no município de Concórdia. O responsável por conduzir a vivência teórica, foi o professor universitário Antônio Inácio Andrioli. A partir do conhecimento compartilhado, os participantes aprofundaram suas percepções sobre os temas escolhidos e, por fim, escreveram uma carta de compromisso que será entregue à Secretaria-Geral do Governo Federal.
Contradições atuais
Em diferentes espaços e diante de vários fatores, a contradição aparece como uma face da nossa sociedade. E existe algo imprescindível para transformar a realidade: a compreensão. “Embora a nossa forma de pensar tenha sido fortemente marcada por um pensamento positivista/idealista, que pressupõe a mudança da realidade como algo linear, precisamos considerar sua perspectiva histórica, contextualizada e contraditória. O pensamento crítico e dialético permite desvelar as contradições, compreendendo a realidade como um movimento. A realidade está sendo”, explica o professor.
E, afinal, como podemos pensar as relações sociais futuras? De acordo com Anderson Andrioli, a realidade não é fixa, nem determinada. Ela é transformável. A força é a ação humana. Para ter a compreensão necessária, precisamos ver quais desafios estão presentes. O desafio é a travessia. Os principais apontados foram: desenvolvimento sustentável, qualidade de vida e democracia.
Por outro lado, também foi necessário entender as oportunidades: participação, organização social e consciência política. Ou seja, nas oportunidades encontramos as soluções para atravessar desafios como os citados.
Políticas públicas e o mundo do trabalho
Neste âmbito, a atenção foi direcionada para entender quais aspectos negativos e positivos existem. Entre os negativos, de acordo com Andrioli, estão a contaminação da água, o uso de agrotóxicos na agricultura e o foco somente em buscar soluções para a cura de doenças, em vez de priorizar a prevenção. Entre os positivos, destacam-se a ampliação do acesso à saúde, o fortalecimento do SUS e a interiorização das políticas públicas.
Ao aprofundar o assunto, o professor universitário ressalta: "Estamos vivendo uma maior informalização do trabalho e a perda de direitos trabalhistas. Por outro lado, novas formas de organização do trabalho, como as cooperativas, poderiam oferecer uma alternativa ao desemprego e à falta de regulamentação. Mas o cooperativismo teria que voltar a ser uma forma de organizar o trabalho das pessoas e não apenas um instrumento de terceirização de serviços."
A proposta recentemente aprovada em instâncias do governo – a escala 6x1 – também foi discutida no seminário. Para Andrioli, essa política pública consolidada pode oferecer uma grande oportunidade de melhorar a qualidade de vida das pessoas, aumentar a produtividade e estimular a criatividade humana. No entanto, é necessário ter responsabilidade social diante do fato. “Ela precisa ser compreendida como conquista da luta e não apenas como uma ação do Estado, para ser transformada em acúmulo de consciência política que fortaleça a democracia e a participação social”, destacou.
Ainda segundo o professor, o seminário foi concluído com participação ativa e aprofundada. "Os participantes demonstraram já estar ativos e organizados na sociedade civil antes de participarem do seminário. A carta assinada coletivamente, como documento resultante do evento, demonstra a maturidade do processo e a qualidade dos debates", concluiu.
Aprendizados locais
De acordo com a multiplicadora Leonice de Souza Vaccari, que participou do evento, as dificuldades e limitações discutidas ensinam. E, na união de forças, lacunas abertas são preenchidas a partir do diálogo. “O seminário reúne os multiplicadores e, debatendo sobre isso, enriquecemos nosso conhecimento e ampliamos ideias”, conta.
Com mais de 200 pessoas presentes, a individualidade de cada um é também interpretada como ponto de riqueza do conhecimento. “Cada um tem um ponto de vista, uma ideia, uma demanda do seu município, da sua região, do seu bairro, da sua comunidade, da associação que está representando, do movimento que está representando. Isso é muito gratificante e muito bacana”, concluiu.





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