Fórum Estadual celebra a força coletiva e encerra a 2ª edição do Programa de Educação Popular e Participação Social
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Na Ilha da Magia, a voz da coletividade reverberou a potência de cada encontro, de cada partilha e de cada sonho semeado durante toda a jornada do PEPS em Santa Catarina
Por: Jaine Fidler Rodrigues
No último final de semana, em Florianópolis, a magia da educação popular e da participação social reverberou nos sorrisos, nos abraços e no brilho no olhar de cada um dos multiplicadores, coordenadores e articuladores presentes no Fórum Estadual de encerramento. Foi um encontro que não se limitou a uma formatura: foi um resgate de tudo o que se viveu coletivamente neste período.
As pessoas, os encontros, as vivências e as partilhas — cada uma que se fez acontecer durante toda a realização da segunda edição do Programa de Educação Popular e Participação Social — consolidaram um movimento verdadeiro de transformação de vidas, desenvolvimento de lideranças, expressão da voz e valorização étnica e cultural.

Uma metodologia que deu voz a quem vive a base
José Roberto Paludo, mediador de aprendizagem do Programa, destaca o cuidado essencial da metodologia do evento: dar voz aos participantes. “Tiveram algumas palestras rápidas, como a do professor William Simões, da Universidade Federal da Fronteira Sul, e a participação online da Secretaria Nacional de Participação da Presidência da República. Mas o restante do evento foi muito interativo, com participação das pessoas do público”, conta.
Durante a tarde do sábado (25), um dos momentos mais especiais do Fórum, os 12 núcleos, representando os 12 territórios de Santa Catarina, tiveram a oportunidade de apresentar, em diferentes linguagens - como se sentissem mais confortáveis a representação de como foi vivenciar este período de realização do programa. “Foi muito rico de conteúdo e de formas. Na educação popular, a capacidade das pessoas de traduzir o conteúdo de uma forma leve e criativa é algo fantástico. Foram 12 apresentações que, para mim, foram 12 aulas”, emociona-se o mediador. Eu conheço grande parte desses territórios e das pessoas que participaram. Eu consegui enxergar o coração deles em cada apresentação", contou.
E para celebrar a força criativa e cultural das turmas, um concurso de fotografia movimentou os participantes. A imagem vencedora traduziu em arte um conceito que atravessou todo o fórum: a semeadura. “Pensamos em algo muito discutido no encontro: semear coisas boas agora e, no futuro, colher esses frutos. A ideia da foto foi alguém com sementes nas mãos”, compartilharam os vencedores, que celebraram a conquista em confraternização com todo o grupo.
Um público novo, diverso e cheio de ânimo
Outro ponto que chamou a atenção foi a renovação do público. “Lembro de uma fala no início do programa que dizia que, há muito tempo, em Santa Catarina, as pessoas que frequentavam os espaços populares eram sempre as mesmas. Isso não aconteceu no PEPS”, celebra Paludo. “De fato, o programa conseguiu mobilizar um público diferente. Talvez uns 10% fossem repetidos, mas 90% eram pessoas novas. Alguns, inclusive, viajaram para Florianópolis pela primeira vez.”
A diversidade também deu o tom do encontro, contemplando todos os territórios catarinenses sem exceção. Jovens, muitas mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência, LGBTQIA+ — a pluralidade estava representada, unida e animada.
Em uma das dinâmicas, os participantes assumiram o compromisso de dar continuidade ao movimento, independentemente do que virá depois. “E todo mundo assumiu com muito ânimo, muito vigor, com disposição de continuar. Deu para perceber que as pessoas estão felizes. O PEPS mexeu e motivou as pessoas para uma nova geração de militância”, afirma o mediador, com a convicção de quem reencontrou o sentimento que viveu ao iniciar a sua caminhada na Pastoral da Juventude, nos anos 80. Isso eu não sentia mais há 20 anos. O PEPS é essa semente. É uma motivação para novas perspectivas futuras.”
É um espaço de construção coletiva que transforma realidades
Para Leidielen Xavier, multiplicadora em São Bento do Sul e responsável pelo seu NAPS no município, o programa vai muito além da formação. “Na minha visão, o PEPS é muito mais do que um programa. É um espaço de construção coletiva que fortalece lideranças, aproxima pessoas e mostra que a participação social é capaz de transformar realidades.”
O que mais a marcou foi ver os projetos construídos nos territórios sendo aprovados no Orçamento Participativo. “Foi emocionante perceber o comprometimento das lideranças em construir propostas que realmente atendem às necessidades da população e contribuem para o desenvolvimento do Planalto Norte.”
Como multiplicadora, Leidielen viu a sua visão sobre cidadania e desenvolvimento territorial se ampliar. “Compartilhei esse aprendizado com o meu NAPS, fortalecendo o protagonismo das pessoas e incentivando a construção coletiva de soluções para os desafios do nosso território. Essa experiência reforçou em mim a certeza de que a transformação acontece quando as pessoas se organizam, participam e assumem o compromisso de construir um futuro melhor para todos.”
O mar pela primeira vez e a certeza de um caminho plural
A jornada do PEPS também foi feita de experiências que transbordam o conteúdo programático. Para muitos jovens, o programa proporcionou vivências inesquecíveis, como ver o mar pela primeira vez. “Foi uma baita realização. Nunca imaginei que teria uma oportunidade dessas, e a política pôde me proporcionar isso”, desabafa o multiplicador Junimar de Oliveira, com a voz embargada pela gratidão.
“Graças a toda a equipe do PEPS, nós pudemos aproveitar essa experiência de maneira completa. No começo, tudo é novo, diferente. Mas fui aprendendo, topando os desafios e evoluindo em grupo, distribuindo o conhecimento nos encontros para o meu NAPS em Itá. Com o tempo, eu entendi a dimensão dessa ideia, o potencial de mudar vidas que ele tem”, reflete.
O encerramento
O coordenador geral do programa, Altair Rittes, finalizou o Fórum com palavras que traduziram o espírito de toda a caminhada: “É com muita alegria que a gente encerra este encontro do PEPS 2. Um encontro que não é somente uma formatura, mas que resgata o que a gente viveu coletivamente. Nas etapas, nos seminários e neste momento maravilhoso, extraordinário, de vivência e convivência com todos esses multiplicadores, convidados e toda a coordenação. Foram momentos de muita emoção, muita alegria e que nos dão a responsabilidade de continuar esse projeto tão bonito que a gente construiu juntos.”
Com os estímulos de trabalho coletivo, educação popular e participação social do PEPs aprende-se a escutar quem está ao lado, a entender a visão do outro e a perceber que não precisamos resolver tudo sozinhos. O PEPS se despede desta edição, mas deixa a certeza de que estamos caminhando, sim, para um mundo mais plural, cheio de vida, respeito e esperança. A semeadura está feita. Que os frutos floresçam nos territórios.




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