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Somos muitos, somos Sujeitos Coletivos

  • 12 de mai.
  • 2 min de leitura

Por: Mateus Eduardo Marchioro – Agente territorial PEPS 1


Atividade de multiplicação em Xavantina PEPS 2. Foto: Mateus Marchioro
Atividade de multiplicação em Xavantina PEPS 2. Foto: Mateus Marchioro

“Não existem fatos, existem interpretações”. Foi essa uma das minhas primeiras falas no primeiro encontro do Programa de Educação Popular e Participação, quando citei Nietzsche, me referia a quantidade de ideias e histórias diferentes que eu vi sendo compartilhadas ali, em uma pequena sala do Sindicato da Industria Alimentícia de Concórdia/SC. 


Quando cheguei lá, ainda inseguro e sem saber se eu teria algo para contribuir, eu logo percebi o sorriso no rosto e os diversos ideais que uniam todos que estavam ali. Éramos diferentes, pensávamos diferentes, mas...acreditávamos que o mundo, e principalmente, o nosso território, precisava mudar. Nos uníamos contra a injustiça, a violência, o preconceito. Nos encontrávamos na utopia. 


O primeiro encontro me marcou muito, mas cada uma das etapas que o PEPS me proporcionou foi tão marcante quanto. Discutimos sobre território, cultura, participação social, memória, comunicação, educação, e diversos outros temas. Ouvimos e fomos ouvidos. Mudamos coletivamente.


E eu não posso deixar de falar sobre o coletivo. A principal mudança que participar da 1ª edição desse programa trouxe na minha vida, diz respeito a forma como eu vejo as coisas, antes, eu interpretava o mundo de forma individual, quase que “sozinho”. Somos programados desde sempre a ver o mundo e pensar os problemas e soluções de acordo com nossas vivências, como se fossemos protagonistas de tudo, é uma configuração padrão do nosso cérebro. Depois de participar do projeto, eu passei a entender a importância do coletivo, aprendi a ouvir o outro com paciência e cuidado, todos temos histórias e toda história tem sua importância.


Educação Popular é sobre escuta, se colocar no lugar do outro, é exercício cotidiano. Eu tenho muito orgulho de me declarar Educador Popular, e entendo a responsabilidade que isso traz. Paulo Freire diz que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. É verdade. E esta Educação é mais do que alguém ensinar e outro alguém aprender. É quando deixamos de ser apenas “alguéns” e nos entendemos como sujeitos, com nome, fala, direitos, cultura e voz. E ela se completa no Popular quando estes sujeitos se entendem como um grupo, um território. Reconhecem em outros comuns uma identidade coletiva.


O Programa de Participação Social com Educação Popular nos Territórios, em Santa Catarina, mudou minha vida. Mudou a forma como sou e entendo o mundo. Mudou a forma como me comunico e me posiciono. Me trouxe oportunidades, amizades e pessoas que levo comigo no dia a dia. Mas acima de tudo, mostrou que um outro mundo, mesmo que utópico, é possível. E ele se constrói com muitas mãos e histórias.



 
 
 

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