Resistência Cultural, Educação Popular e Mercantilização do Litoral são debatidos em Seminário Regional de Florianópolis
- 8 de jul.
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Evento foi marcado por apresentações culturais e muitas reflexões
Por: Jaine Fidler Rodrigues
Quando se fala em cultura, é importante lembrar que vivemos em um país extremamente rico em diversidade, mas que carrega em sua história inúmeras ações de apagamento e afastamento de certos grupos de suas tradições — como ocorreu com os povos indígenas no processo de colonização. Em Santa Catarina, essa realidade não é diferente.
Durante o Seminário Regional realizado em Florianópolis, os debates giraram em torno dos temas "Resistência Cultural", "Educação Popular" e "Mercantilização do Litoral". O multiplicador Lucas Alexandre Domingues Valera, participante do evento, observou um descompasso entre a riqueza cultural existente e a visibilidade que ela de fato recebe.
“Pude perceber o quanto é rica a nossa Santa Catarina. Tem muita cultura, muitos grupos que têm muito a entregar, mas muitos deles são invisibilizados — seja pela falta de conhecimento do próprio grupo em se posicionar, seja pela ausência de olhares de dentro do meio. Isso abriu meus olhos no seminário: vi grupos com extremo talento, mas com pouco reconhecimento”, relatou.
Diante de problemas como esse, a discussão coletiva pautada pelos princípios da Educação Popular aponta caminhos e possibilidades: é possível transformar nossas realidades. Lucas complementa: “Podemos criar muitas coisas legais, dar mais visibilidade, mais engajamento e mais oportunidades. E não podemos parar. Isso tem que ser progressivo, contínuo”.
Debater cultura e diversidade é também falar sobre diferenças étnicas, raciais e de gênero, enxergando-as como aspectos que unem, e não que separam. “Cada grupo que eu recepcionava, cada pessoa que passava por ali, cada apresentação que eu via — eu notava o quão diferentes eles eram, mas que tinham objetivos em comum. Aí percebi a importância de ser visto, de ser ouvido e de encontrar seu lugar”, finalizou.
A organização do evento ficou sob responsabilidade principal da turma 6 e de organizações parceiras. Como nos outros territórios, o tema foi escolhido coletivamente diante do entendimento de que a cultura é um desafio em Santa Catarina. “O tema abriu possibilidades para criar os eixos de mercantilização, dos estudos, dos investimentos, das participações em editais”, afirmou o coordenador de participação social e cultura, Pedro Cácio Ferreira Simão.
Segundo ele, a organização do evento foi desafiadora e intensa. “A intensidade das pessoas contribuiu muito para o sucesso. Mas não foi fácil, não. Fazer com que as pessoas entendessem a participação, o quão importante é colocar a cultura em visibilidade, porque nós tivemos esse tema escolhido, né? Essa mercantilização da cultura. E foi um desafio bastante grande, mas foi maravilhoso”, ressaltou.
Para o coordenador, o seminário trouxe luz, esperança, magia da cultura e envolvimento das pessoas. “Nós tivemos cerca de 250 pessoas participando, foi um marco de esperança, de continuidade da luta e saímos da invisibilidade”, concluiu.
O evento foi encerrado com a proposta de entregar uma carta-compromisso à Secretaria-Geral da União, com o intuito de expandir as ideias debatidas e buscar mais apoio e mudanças concretas.





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