PEPs 2 encerra ciclo formativo com fortalecimento de lideranças em SC
- 6 de jul.
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Após sete meses de formação, 120 multiplicadores de seis territórios catarinenses celebram aprendizado e ampliação da participação social
Por: Jaine Fidler Rodrigues
A quarta etapa do Programa de Participação Social e Educação Popular (PEPs 2) chega ao fim marcando o encerramento da formação presencial dos multiplicadores. O momento é de celebração: coordenadores, articuladores e multiplicadores de seis territórios catarinenses se preparam para a formatura no dia 25 de julho, mas já colhem os frutos de uma caminhada que, segundo os participantes, vai muito além do conteúdo teórico.
O programa contou com 120 multiplicadores, com a expectativa de alcançar cerca de 2.400 pessoas por meio dos processos de multiplicação realizados principalmente nos Núcleos de Apoio e Participação Social (NAPs). Mais do que uma certificação, o PEPs 2 deixa como legado novas lideranças, redes fortalecidas e uma nova percepção sobre o que significa participar ativamente da vida comunitária.

Diversidade como riqueza da formação
Entre os assessores do programa, a avaliação é unânime: o PEPs é uma experiência transformadora. Alex Cardoso, um dos assessores, destaca a diversidade como o ponto central da formação. Segundo ele, as turmas reuniram perfis muito distintos, como pesquisadores, professores, estudantes, sindicalistas, cooperativistas e lideranças comunitárias. Essa pluralidade rompe com a lógica de que o conhecimento é produzido em um único lugar.
“A universidade contribui com importantes referenciais teóricos, mas os territórios também produzem conhecimento todos os dias, através da experiência, do trabalho, da organização comunitária e das lutas sociais. Quando essas diferentes formas de saber se encontram, todos aprendem”, avalia Alex.
A fala encontra na experiência dos multiplicadores. A multiplicaora Letícia Sgarbossa, de Seara, sintetiza o sentimento comum: “O que mais me marcou durante o PEPs foi perceber que a educação popular acontece, acima de tudo, no encontro com o outro. Cada formação, cada conversa e cada atividade mostraram que ninguém transforma a realidade sozinho.”
Para a multiplicadora, Valdirene de Fátima, o programa representou um divisor de águas em sua trajetória. Ela chegou ao PEPs por indicação de um amigo e, ao longo dos encontros, experimentou um desenvolvimento que considera gigantesco. "Estou saindo pronta para encarar qualquer desafio como liderança", afirma. Ela destaca que a formação foi fundamental para aprender a não ter medo de ir atrás de direitos, de falar e de liderar — habilidades que, segundo ela, transformaram sua postura diante da vida comunitária.
Protagonismo que vai além da sala de aula
Os assessores apontam que os participantes não estavam em busca apenas de um certificado. Carregavam a responsabilidade de representar suas comunidades e organizações. Ao longo dos encontros, foi possível observar o fortalecimento da confiança, da capacidade de diálogo e do compromisso coletivo.
A participante Adriana Cardoso, de Paraíso, conta que o programa despertou um olhar mais atento para a política local. “Agora vejo como a participação dos cidadãos pode contribuir para melhorar a realidade do município”, relata.
Já o multiplicador Eduardo Figueiredo, de Navegantes, o programa eliminou a sensação de solidão na luta por justiça social. Ele afirma que o principal aprendizado foi compreender como os territórios ganham força quando atuam de forma articulada. O multiplicador já projeta a continuidade do trabalho com foco na mobilização dos bairros, na organização das associações e na participação nos Conselhos de Direito e nas sessões da Câmara Municipal.
Desafios e conquistas no território
Os debates durante os encontros foram marcados por reflexões profundas sobre o tipo de sociedade que se quer construir. Foram pautas recorrentes a democracia, as desigualdades sociais e a concentração de riqueza. Uma das principais reflexões destacadas pelos participantes foi a necessidade de criar espaços para fortalecer os coletivos populares, em contraposição à cultura do individualismo.
Salete, também assessora, observa que, embora os movimentos populares já atuem em diversas frentes, a mobilização ainda é insuficiente diante da agenda conservadora e neoliberal. No entanto, ela ressalta um aspecto positivo: “as pessoas querem participar, querem estudar, querem aprender”.
Esse desejo já se traduz em ações concretas. A multiplicadora Brenda Daminelli criou um Núcleo Socioambiental em seu território, realizando ações como a doação de mudas medicinais, dialogando com a comunidade sobre políticas públicas e valorizando os saberes populares. Ela afirma que saiu do programa mais segura e preparada para contribuir com o fortalecimento do território.
Educação popular e transformação social
Alex Cardoso, que também é catador de materiais recicláveis e permaneceu semianalfabeto até os 34 anos, compartilha sua trajetória para demonstrar o poder da educação. Atualmente concluindo uma tese de doutorado, ele afirma que a educação popular não é uma disciplina engessada, mas sim a própria vida acontecendo. “A educação popular forma lideranças profundamente comprometidas com o bem comum. Ela não prepara pessoas para exercer poder sobre os outros, mas para construir caminhos coletivos”, defende.
Para Salete Aparecida Martins de Florianópolis, que também foi assessora das etapas formativas, a metodologia dialógica e a práxis pedagógica são diferenciais que desenvolvem autonomia e emancipação nos sujeitos, ampliando suas visões de mundo e capacitando-os para intervir na realidade.
Continuidade do trabalho
A formatura em 25 de julho marca o fim do ciclo presencial, mas não o encerramento do programa. A conclusão da quarta etapa inaugura uma nova fase de atuação dos multiplicadores nos territórios que segue nos NAPs.
Como resume o multiplicador Patrick Bernardo, de Lages, a bagagem adquirida no programa é valiosa para a vida política e comunitária. Ele saiu da formação com maneiras mais efetivas de dialogar sobre políticas públicas, utilizando argumentos sólidos e observando a realidade por meio de dados.
O legado do PEPs 2 se traduz na certeza, expressa pelos participantes, de que a transformação social nasce do diálogo, da escuta e do compromisso com as pessoas. Mais do que concluir uma formação, os participantes assumem o desafio de manter viva a articulação construída ao longo do programa.




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