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NAPS: observatórios ativos da vida local  

  • 28 de mai.
  • 3 min de leitura

A função social da Tropa do Pet no Morro do Mocotó, em Florianópolis  


Por: Jaine Fidler Rodrigues


Cada território no Programa de Participação Social e Educação Popular tem seu valor único e autêntico. Valorizar a identidade e conhecer a realidade de cada local é o que torna cada iniciativa realizada uma força que transforma. Como é o caso dos Núcleos de Articulação e Participação Social - espaços que têm o papel de serem observatórios ativos da vida local.  


Após a realização das primeiras etapas, os grupos territoriais são estimulados a criar seus núcleos, com um norteador essencial: ampliar a força coletiva do programa através da integração de novos multiplicandos. Na criação destes NAPs, os multiplicadores precisam seguir alguns princípios como: priorizar o convite a pessoas que já estejam conectadas com o propósito do PEPs, aquelas que por algum motivo já estiveram mais próximas e se distanciaram de movimentos sociais, cidadãs e cidadãos cadastrados em programas como o CADÚnico e Bolsa Família, entre outros critérios.  


Os momentos em que os grupos se reúnem referem-se ao tempo comunidade que o PEPs propõe. A máxima dos encontros é a realização de práticas que gerem autoconhecimento do grupo para que seja possível criar um ambiente de confiança e acolhida. A ideia é estimular a conexão entre as pessoas, fortalecer a identidade coletiva e abrir espaço para escuta, fala e expressão livre. Ao final, o grupo tem a tarefa de produzir algo juntos. Ou seja, é nos NAPs que as ideias ganham vida e reverberam com ações que possam transformar territórios, como é o caso do Núcleo Tropa do PET, que acontece no Morro do Mocotó, em Florianópolis.  


A Tropa do PET  


Na vida em comunidade, sempre há aquelas pessoas que são respeitadas e amadas pelo papel que exercem. No Morro do Mocotó, há um ano, a pessoa que era responsável por realizar a coleta de materiais recicláveis foi presa e, diante do espaço aberto, Moisés Nascimento, um dos líderes comunitários da região, teve uma ideia. “Ele era uma pessoa muito querida aqui na comunidade e eu não quis deixar que o trabalho dele terminasse ali. E aí eu desenvolvi, junto das crianças, a ideia da ‘Tropa do Pet’”, conta.  


A Tropa do Pet é um Núcleo de Articulação e Participação Social que une crianças e jovens. Todos os sábados, o grupo se reúne para recolher materiais recicláveis - e o nome em si carrega a essência do movimento: “a gente sempre anda em bando e a gente vai passando de casa em casa em busca destes materiais, como garrafas de água sanitária, amaciante e derivados”.  


Atualmente, o núcleo tem uma parceria com a CONAB. Cada família que junta seus reciclados recebe uma cesta de alimentos orgânicos. "É um laço de cuidado, onde o morador cuida do meio ambiente e é retribuído com saúde, com alimentação orgânica diretamente dos pequenos produtores, apoiados pelo governo federal."  


Neste núcleo, os agentes sociais ativos são as crianças e jovens - que têm o papel de perpetuar o respeito ao meio ambiente e à sua casa. Ao mesmo tempo, é um estímulo para que seus pais se engajem na causa. “A mobilização dos jovens faz com que os pais mudem esses hábitos, trazendo o cultivo de uma educação ecológica”, conclui.  



Quem é Moisés

Moisés Nascimento é presidente da Frente Juventude - Voz da Favela e uma das lideranças comunitárias do Morro do Mocotó. Sua sensibilidade chama a atenção: ao perceber a ausência de um morador querido da comunidade, enxergou ali não um vazio, mas uma tarefa em aberto — e agiu. Além da Tropa do Pet, Moisés conduz outros projetos no território, sempre com prontidão e espírito coletivo.


Ao envolver crianças e adolescentes em uma iniciativa que alia reciclagem, cuidado ambiental e segurança alimentar, Moisés revela também sua capacidade de pensar no outro e de construir pontes entre gerações. São características fundamentais no exercício de uma liderança comunitária que transforma o entorno em lugar de pertencimento e esperança.



 
 
 

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