Educação e Comunicação Popular foram temas abordados no Seminário em Criciúma
- 3 de jul.
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Por: Jaine Fidler Rodrigues
No Programa de Participação Social e Educação Popular (PEPs), aprendemos que a relação entre Educação e Comunicação é tênue, genuína e bonita. Isso ficou comprovado no seminário da Turma 5 do PEPS, realizado no último sábado (27), em Criciúma, com os territórios da Serra Mar e Extremo Sul.

De acordo com a articuladora territorial da Turma 5, do território Serra Mar, Fran Hoffmann, as duas áreas caminham juntas. “A comunicação popular é uma forma de educar, porque leva informação de um jeito simples, acessível e conectado com a realidade das pessoas. E a educação popular também comunica, porque promove diálogo, troca de saberes e faz com que as pessoas se reconheçam como protagonistas das mudanças em suas comunidades. Uma fortalece a outra o tempo todo”, explica.
Segundo a articuladora o momento foi rico em troca de experiências, reencontros e fortalecimento de grupos. “Foi muito bonito ver o protagonismo dos multiplicadores e dos jovens, além da criatividade que cada território trouxe”, destacou.
Sempre que se organiza algum evento ou atividade no Programa, é necessário avaliar onde podemos melhorar, pois sempre há espaço para aprimoramento. Nesse sentido, Fran reconhece que é preciso continuar fortalecendo a comunicação entre os grupos após o seminário e encontrar formas de envolver cada vez mais pessoas nas ações de educação popular, para que o que foi discutido ali continue acontecendo no dia a dia das comunidades.
De modo geral, a comunicação popular foi o principal tema debatido, especialmente por se evidenciar como uma ferramenta que aproxima as pessoas e dá visibilidade aos territórios. No entanto, assuntos como juventude, cultura, direitos, organização comunitária e fortalecimento dos Núcleos de Educação Popular também estiveram em pauta. “O sentimento que ficou é de que, quando trabalhamos de forma coletiva e valorizamos os saberes do povo, conseguimos construir iniciativas que realmente transformam a realidade”, ressaltou.
Construção e importância do tema para o território
Cada turma do Programa tem o direito de livre escolha dos temas abordados em cada seminário, e a forma como isso se estabelece é interessante de entender. Segundo o articulador territorial do Extremo Sul, Eduardo Martinello, as discussões sobre educação e comunicação popular foram transversais e, por isso, surgiram naturalmente como unanimidade no momento da escolha do tema. O objetivo foi abordar a comunicação a partir das teorias freireanas.
“Os multiplicadores sentiram a necessidade de discutir a comunicação no sentido freireano, ou seja, como podemos fazer para emitir a mensagem de tal modo que nosso colega consiga captá-la e absorvê-la. Acredita-se que apenas por meio da educação popular esse diálogo é possível”, pontuou.
Considerando o momento político que estamos vivendo, a educação e a comunicação são vistas como verdadeiros caminhos de solução. Eduardo reflete que, para além do diálogo, é preciso também que o saber acerca das práticas, realizações e projetos seja debatido na sociedade como forma de emancipação da população em relação às grandes mídias, à massificação das fake news e ao uso de robôs nas redes sociais. Para ele, as propostas de país são bastante distintas: de um lado, há esperança de que as políticas públicas possam atingir a população, criando emprego e renda, saúde de qualidade e gratuita, educação e desenvolvimento; do outro, há o interesse em desenvolver as big techs, promover os grandes latifúndios e entregar o país às mãos estrangeiras.
“Nesse contexto, me cabe acreditar que a grande maioria do país busca um projeto de desenvolvimento nacional que valorize seu povo e, nesse sentido, a educação e a comunicação popular caminham juntas para abrir este diálogo como estratégia de emancipação, também, política”, afirma.
Eduardo, assim como outros participantes, percebe que os encontros, seminários, conversas e trocas enriquecem o ser humano. E conclui: “Aprendi a ouvir mais, captar a mensagem e me comunicar de forma estratégica. De fato, este papel de articulação territorial exige uma comunicação extremamente respeitosa – com as pessoas e com os territórios – e atenta. Certamente, pude aprender em conjunto com os multiplicadores em cada etapa formativa, visita às comunidades, multiplicações e diálogos”.
A partir do seminário, a multiplicadora Maria Letícia Mariot Crocetta também ampliou suas percepções. Ela conseguiu entender que a comunicação é, de fato, importante para a participação social e que comunicar vai além da simples transmissão de informações: exige escuta ativa e diálogo para que, assim, seja possível chegar a soluções para os desafios da comunidade, especialmente quando se trata de jovens em contexto de transformação social.
“O encontro me mostrou que a comunicação tem força quando é construída coletivamente. Como jovem, percebo que nossa voz pode gerar mudanças e inspirar outras pessoas a participarem mais da sociedade. Trabalhar em grupo nos ensina que diferentes ideias e experiências enriquecem a mensagem e fortalecem a participação social”, comentou.
Já a multiplicadora Pâmela Ribeiro Jaques direcionou sua atenção para o aspecto do engajamento que devemos construir com os territórios. Entre os insights que inspiraram sua mente, ela percebeu a importância de valorizar os mais velhos, mas também a necessidade de aproximar os mais jovens do nosso convívio, para que haja compreensão de quem são, como pensam e qual é o seu lugar dentro dessa nova perspectiva de vida.
“O seminário deu voz àquilo que, muitas vezes, fica localizado e pouco visibilizado. Percebemos também a curiosidade de outras pessoas em saber o que são os NAPs e o que é o PEPs. Isso mostra que ainda precisamos divulgar mais, esclarecer melhor o que fazemos e apresentar com mais clareza aquilo que queremos alcançar”, destacou.
Pâmela participou da primeira e da segunda edição e reconhece, com alegria, que evoluiu com o PEPs. “Consegui reconhecer em mim uma evolução muito grande em relação ao conhecimento político, ao engajamento com o território e à compreensão das necessidades do lugar onde vivo e atuo.”
E o seminário ensinou a ela que não basta se comunicar: é preciso se informar para isso. Ela afirma: “É fundamental buscar conhecimento para compartilhar informações corretas com outras pessoas. Aprendi sobre fontes de pesquisa, como o site ComunicaBR, que conheci pela primeira vez no PEPs. A partir disso, percebi o quanto eu ainda sabia pouco sobre políticas públicas. O PEPs 1 marcou minha história como cidadã, mulher e negra”.
Pâmela Ribeiro Jaques tem 39 anos, é mulher negra, mãe de dois meninos, casada, pedagoga e mestranda em ações afirmativas em ciências ambientais (PPGCA/UNESC). A partir da experiência no PEPs, ela entendeu: “Tenho um papel importante no meu território: ensinar, compartilhar e repassar aquilo que aprendo com empoderamento. Também entendi que preciso mobilizar mais pessoas do meu território para participarem de oportunidades como essa, pois elas enriquecem nosso repertório, fortalecem nossa atuação e nos ajudam a seguir cobrando direitos e ensinando outras pessoas”. Ler isso nos lembra: este é justamente o objetivo do PEPs.




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