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Do iniciante ao aprofundado: NAPs fomenta desenvolvimento de consciência social entre jovens de São Bento do Sul e Rio Negrinho

  • 2 de jul.
  • 2 min de leitura

Dois grupos, um rural e outro urbano, trabalham a educação popular como ferramenta de transformação social


Por: Jaine Fidler Rodrigues


Em São Bento do Sul e Rio Negrinho, adolescentes e jovens se reúnem para aprimorar o senso crítico e a capacidade de transformar a realidade em que vivem. A iniciativa faz parte dos Núcleos de Aprendizagem Popular (NAPs), que atuam em duas frentes: um grupo com perfil mais rural, ligado a movimentos sociais como o Movimento dos Sem Terra (MST), e outro urbano, composto por crianças e adolescentes que são estimulados por meio da Educação Popular.



De acordo com a multiplicadora e coordenadora do NAPs, Magdielly Kedma, a proposta é despertar nos jovens a consciência sobre a sociedade e sobre como podem promover mudanças concretas. “Fazer com que eles repensem a sociedade que vivem e como, juntos, podem transformá-la”, afirma.


Os temas abordados incluem comunicação, políticas públicas e mundo do trabalho. A ideia, segundo Magdielly, é mostrar que é possível pensar diferente do que é comumente ensinado, especialmente no âmbito familiar — sobretudo porque a região tem características conservadoras. “No NAPs, mostramos formas mais coerentes de entender a realidade”, completa.


O impacto dessa proposta já é sentido na prática. Um dos jovens participantes relata que a experiência foi transformadora: “Bom, a minha experiência foi bem boa, porque eu aprendi muitas coisas que eu não fazia ideia que dava para fazer. Descobri que, trabalhando em grupo, a gente pode mudar a sociedade para algo melhor”, conta.


A trajetória da multiplicanda Gabrieli dos Santos Vieira dentro do NAPs revela como, por diferentes motivos, muitas pessoas se afastam de grupos que oferecem acolhimento e visões compartilhadas de sociedade. “Eu fui estudante da Licenciatura em Educação do Campo, que é uma política pública conquistada pelo povo. Me formei individualmente, mas me sentia sozinha, porque fiquei distante dos movimentos. Quando conheci o NAPs e pude participar, estar com os meus, como a gente diz, me senti mais acolhida. De forma coletiva, a gente pode continuar com essa vontade, essa garra e essa luta para conquistar mais e mais”, relata Gabrieli. Para ela, o NAPs representa um misto de sentimentos: conquista, garra e vitória.


Já Magdielly resume sua relação com o projeto em uma palavra: esperança. Ela reflete sobre a importância de desenvolver o senso crítico-social antes da vida adulta e como o NAPs se torna uma chama de possibilidade e transformação. “A gente tem isso muito forte quando se depara com uma universidade — são temas mais profundos e amplos que acabam sendo trabalhados só na vida adulta. Eu vejo que o NAPs vai na base, nos jovens. É aqui que você começa a debater sobre sociedade, sobre como as minhas decisões impactam meu cotidiano e minha comunidade”, explica.


E conclui: “Esperança, porque você vai multiplicar para as pessoas como ela pode transformar a sociedade, e ter esse ‘clique' ainda na juventude, não somente lá na frente, depois de tantas vivências. O NAPs vem a base — e esse é justamente o ponto positivo”.





 
 
 

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