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Comunicação popular, redes sociais e território

  • 19 de mai.
  • 3 min de leitura

A comunicação popular para além das telas foi um dos temas centrais e transversais debatidos durante as etapas formativas do Programa de Participação Social com Educação Popular nos Territórios (PEPS). Tanto na primeira edição quanto no PEPs 2, a comunicação esteve presente como eixo estratégico nos debates sobre organização popular, formação política e fortalecimento dos territórios. Entre os principais desafios apontados esteve a necessidade de construir processos de comunicação mais humanos, próximos da realidade das comunidades e conectados com a escuta popular.


Um dos assessores da etapa formativa sobre comunicação da primeira edição do programa, o jornalista e professor Joel Guindani, destacou que debater a comunicação como uma centralidade dentro da educação popular foi essencial para provocar reflexões críticas sobre o uso das ferramentas digitais. Segundo ele, o processo formativo buscou ir além das técnicas de redes sociais e da lógica acelerada das plataformas digitais. “Foi uma oportunidade rica para instigar os participantes a olharem além das telas e questionarem como as ferramentas digitais podem, ou deixam de, dialogar com a realidade concreta das bases”, afirmou.


Para Joel, um dos debates mais urgentes atualmente é romper as bolhas criadas dentro das próprias redes sociais e construir formas de comunicação capazes de dialogar também com quem está fora dos espaços organizados. Muitas vezes a comunicação acaba restrita a públicos que já compartilham das mesmas ideias, distante da realidade concreta das pessoas e limitada ao ambiente virtual, o que dificulta o alcance popular das discussões.


“O rompimento do monólogo digital e das bolhas é um dos debates mais urgentes hoje. É preciso superar a tendência de muitos perfis de esquerda que comunicam apenas para os ‘já convertidos’, utilizando discursos autorreferenciais ou agressivos que isolam o movimento”, destacou.


Neste sentido, existe a necessidade de refletir sobre os impactos dos algoritmos e da velocidade das plataformas digitais na superficialidade dos debates públicos. A lógica de produção constante de conteúdos para alimentar as redes acaba reduzindo temas complexos a discursos simplificados e imediatistas. “A produção massiva e veloz para alimentar plataformas neoliberais tem achatado a complexidade histórica em fórmulas simplistas”, afirmou o assessor.


Um dos grandes desafios da comunicação popular atualmente é recuperar a profundidade pedagógica e estratégica dos debates, compreendendo os diferentes públicos e fortalecendo processos reais de escuta.


Ele também ressaltou que a disputa por curtidas, compartilhamentos e visualizações não substitui o trabalho de base e a presença nos territórios. Durante a formação, o debate sobre comunicação esteve diretamente ligado à importância das relações comunitárias, da escuta ativa e do contato direto com as pessoas. “A disputa nas redes não substitui a comunicação da presença. É preciso resgatar metodologias comunitárias baseadas no afeto, na escuta ativa e no legítimo olho no olho no chão da periferia”, pontuou.


A troca construída com os participantes durante a etapa formativa foi marcada pela reflexão coletiva sobre os desafios enfrentados no cotidiano dos movimentos, coletivos e organizações populares. A partir de exemplos concretos de experiências de comunicação,

os participantes puderam identificar limites, potencialidades e contradições presentes nas próprias práticas.


“Houve uma recepção muito madura no sentido de compreender que a comunicação popular não se faz apenas emitindo informações, mas sim garantindo canais reais de escuta com quem ainda está ideologicamente distante das nossas lutas”, comentou.


Ao refletir sobre a importância do programa, Joel destaca que iniciativas como o PEPS fortalecem os territórios justamente por aproximarem formação política, comunicação e organização popular. Para ele, em um cenário de hiperconectividade e fragmentação das relações comunitárias, espaços formativos como esse cumprem um papel fundamental na construção de novas metodologias de comunicação popular.

“Essas iniciativas fortalecem os territórios ao transformar a comunicação em um processo vivo de conscientização, aproximação e transformação social afetiva e efetiva”, finalizou.

 
 
 

1 comentário


mateus.marchioro
19 de mai.

Grande Joel. Análise importantíssima!

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