Terceira etapa “Mundo do Trabalho e Sujeitos Coletivos” é concluída
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Por: Jaine Rodrigues
No último mês, o PEPS movimentou os seus sete territórios com a terceira etapa do programa denominada “Mundo do Trabalho e Sujeitos Coletivos”. Das atividades realizadas, reflexões foram aprofundadas e novas perspectivas foram fundamentadas.
Primeiramente é válido destacar: dois dos princípios do nosso Programa de Participação Popular são respeito e valorização. Quando vamos aos territórios, respeitamos e valorizamos a realidade individual e única de cada um. Entendemos que as análises, teorias e práticas devem ser feitas a partir do conhecimento das próprias pessoas que vivem em cada território.
O professor responsável pela assessoria da etapa no Planalto Norte e Alto Vale do Rio do Peixe, Neto Puerta, após conduzir a atividade da terceira etapa afirmou que é fundamental fazer o link com nossas realidades e ver como se conectam com estruturas maiores. “Essa é a grande chave para conduzir este trabalho”, explicou.
Neto percebe que, quando uma pessoa, por exemplo, identifica dificuldades sobre trabalho e vê que “ela não está sozinha neste barco”, e que faz parte de um problema coletivo, isso chama mais a atenção.
Durante a atividade, realizada no dia 21 de março, o assessor percebeu o grau de politização dos participantes do programa. "Senti o engajamento na oportunidade ativamente sobre o assunto, justamente abordando questões de suas realidades – entre aqueles da área urbana, outros no campo, professores e iniciativa privada”, destacou.
O professor também chamou a atenção para como podemos chamar a realidade capitalista que vivemos hoje: capitalismo de plataformização, com o exemplo dos entregadores por aplicativo, motoristas do Uber, entregadores do Mercado Livre. “Tudo isso tem uma dinâmica que, mesmo nas cidades pequenas, ainda se coloca, porque é uma lógica de trabalho que só funciona sem direitos”.
Outro fator que Neto instiga a reflexão é o nível de acumulação de riquezas, num âmbito geral do assunto Mundo do Trabalho e Sujeitos Coletivos. “Como, por exemplo, pessoas que trabalham na agricultura ou no serviço público, como quem é professor e sofrem com a reforma da previdência. Na iniciativa privada, quando as grandes empresas ‘tomam conta’ do mercado e deixam pouco espaço para autônomos e microempreendedores – tudo fica muito difícil e a concentração de riquezas nas mãos de poucos, isso a gente vê tanto em municípios pequenos como em municípios maiores”, afirmou.
Quantas pessoas em Santa Catarina têm a possibilidade de não precisar trabalhar?
Ao ser questionado sobre qual olhar as pessoas devem ter em relação ao Mundo do Trabalho e Sujeitos Coletivos, o assessor destacou a percepção sobre sermos coletivo, sermos classe. Porque, de modo geral, a maioria segue o mesmo “ritmo”. A dinâmica principal é que as pessoas vendem o seu tempo, sua força de trabalho, por um salário que as mantém apenas para sobreviver. “No final das contas: o que resta do nosso tempo e do nosso corpo?”, questiona.
E essa pergunta responde por que hoje tantas pessoas vivem doentes. O número de casos de doenças entre trabalhadores é absurdo. Enquanto uns são explorados, outros detêm riquezas.
A partir dessa compreensão, o assessor mostra um caminho de resolução: criar uma consciência de que o coletivo começa a ter mais força para promover mudanças sociais quando quebra as lógicas de individualidade. “A ideia de que você não precisa de ninguém para resolver esses problemas — quando as pessoas perceberem que isso é uma cilada do capitalismo para te colocar correndo numa esteira que não para de girar nunca, e a gente começar a sair dessa esteira e olhar para o coletivo e ver que, coletivamente, a gente consegue construir pautas que façam com que a redução da jornada diminua, o salário mínimo aumente, a gente tenha condições de diminuir as desigualdades sociais – melhor. Porque, no final das contas, ninguém se salva sozinho”, conclui.
A vida não é só trabalhar
Da reflexão sobre tempo & corpo – e a citação de um dos pensamentos de José Mujica –, a multiplicadora da turma Cruz e Souza de Florianópolis, Hannah Minhoni, conta que, após o encontro, vem refletindo sobre a frase “A vida não é só trabalhar. Tem que deixar um bom capítulo para as loucuras que cada um tem”. De acordo com ela: “Isso me faz pensar sobre o que somos como seres humanos e como seres coletivos, para além da funcionalidade e do nosso valor enquanto força de trabalho”, afirmou.
Ou seja, trata-se de uma sensibilidade conosco enquanto pessoas e coletivo. Para ela, o tempo é o fator mais valioso da classe. “Nossa maior luta específica neste ano, especialmente na perspectiva da escala 6x1. O tempo é essencial para que haja espaço para o pensamento crítico”.
Durante a atividade, Hannah também compreendeu a importância de momentos como este para fortalecer a união das pessoas no que se refere ao crescimento coletivo, assim como para o despertar da curiosidade sobre temas como o Mundo do Trabalho. “Além da formação de liderança, foi muito importante debater o tema do trabalho e também conhecer o cotidiano de todos, percebendo como nossas lutas, anseios, objetivos e sonhos se cruzam e como a vida está entrelaçada a tudo isso”, complementou.
Para o articulador territorial no Extremo-Oeste, Daniel da Silva, a participação nesta terceira etapa foi marcada por grande entusiasmo, considerando também a quantidade e a profundidade das reflexões feitas. “Esta etapa consolidou-se como um espaço de aprendizado e reflexão crítica, contribuindo significativamente para a formação de lideranças comprometidas com a transformação social e a atuação nos territórios”, destacou.
O articulador também reflete sobre o valor agregado da primeira para a segunda edição. “Percebe-se que o programa vem acumulando elementos ricos e se apropriando de reflexões relevantes. A sociedade moderna, marcada por avanços tecnológicos, vem promovendo profundas mudanças no mundo do trabalho. Por isso, torna-se indispensável oferecer formações que dialoguem com essas transformações, preparando lideranças capazes de interpretar e intervir nesse cenário em constante movimento”, finalizou.
Em suma, podemos destacar, a cada etapa o PEPS se fortalece como espaço de desenvolvimento de pensamento crítico e participação social.



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