8 de Março: por mim, por nós, com vocês
- 8 de mar.
- 2 min de leitura
Por: Prof. Neuri Alves
Passando aqui, não para felicitar a luta das mulheres. Mas nos convocar a soma. Pois só referenciar a resistência e luta feminina, não transforma, numa sociedade que mulheres precisam lutar para continuar vivas.
Que nossa solidariedade masculina, quase sempre oportuna, pontual. Por vezes só uma exegese de presença na ilha ideológica que nos aglutina, se transforme em uma trincheira. Em engajamento na batalha ao patriarcado que limita, exclui e mata como processo naturalizado.
Um coliseu cotidiano da barbárie, apresentado prazerosamente aos olhos de todos, aos gritos de socorro de mulheres sangradas na arena dos dias. Enquanto plateias se dividem entre o êxtase da moralidade hipócrita que atesta o infortúnio, o cúmplice silêncio dos que bebem o cálice onírico do bem masculino contra o mal feminino, ou o medo seletivo de ser julgado por intervir.
Que nossa presença masculina, comece enfrentando primeiro em nós mesmos, as chagas malditas que nos impõe ingênuo poder. Nos coisifica politicamente, aliena culturalmente e nos destrói humanamente. Pois só SEREMOS algo diferentes aqui, porque Elas SÃO desde sempre. Entender isso, é passo primordial de nossa libertação da cartilha estúpida do patriarcado que nos coisifica, nos molda como dominantes - autorizados a matar.
Que nossos territórios do PEPs sejam trincheiras de HUMANOS na linha de frente contra as violências patriarcais que matam. Não só as mulheres, mas a todos e tudo nessa sociedade adoecida pelo ódio, embebecida de superioridade, empobrecida de dignidade. Multiplicar ações, não é mera reprodução de processos, é sim, e fundamentalmente construção do novo. E este, sem os grilhões da 'escravidão maldita' que aprisionam e matam as mulheres há séculos.
Essa manhã não parabenizei minha companheira, lhes agradeci, pela oportunidade de aprender cotidianamente. Travar a batalha primeira dentro de mim, me assumir como produto do patriarcado, me reconstruir humanamente. Para no mundo fora de nossa porta, Ser, o que nossos iguais precisam que sejamos: metades que se completam, Humanos em totalidades!
Abraço a luta com vocês mulheres, não como sexo superior, mas como Nós. Não como indivíduo, mas como Eu aprediz cotidiano. Mudando a mim mesmo. Reconstruindo, ou abrindo novos territórios de dignidade. Aqueles que nos possibilitam Ser, Amar e Viver sem a cartilha das diferenças, do ódio e da posse. Da putrefata razão, estupidamente estabelecida.
Ouço agora gritos em nossos territórios, vejo lágrimas regando estatísticas, sangue abrindo sulcos em solos empobrecidos. E nosso tempo comunidade se descola das etapas, e se faz práxis cotidiana. Sociologicamente com as mulheres do mundo, institucionalmente com as mulheres no PEPs em territórios, e pedagogicamente com nós como totalidade na grande trincheira desse tempo: a luta pelo respeito, o direito a dignidade. Das mulheres, SER e VIVER!




Comentários